Coaching

O Coaching e as Competências Interculturais no Mercado Global

- por Natalia Kupfer - Treinadora Intercultural, Executive & Life Coach, Consultora Associada da Ascend

Com o crescimento do mercado global, as organizações se defrontam com múltiplos desafios vinculados ao trabalho e aos negócios internacionais. Podemos resumir este desafio como: pensar globalmente e agir localmente.

Um fato relevante que explica a dimensão desse desafio é que um expatriado custa entre 2 a 3 vezes mais que um funcionário local. 15% voltam antes do término por problemas de adaptação à nova cultura, 35% apresentam uma performance inferior à esperada, outros 25% saem da empresa um ano depois de terminar a expatriação e só 25% têm o sucesso esperado, ou seja, permanecem e continuam o seu desenvolvimento na empresa. Podemos ver a adaptação cultural como uma das principais causas do insucesso dos processos de expatriação. (Harvard Business Review, 1999).

Como se pode enfrentar a diversidade de culturas, línguas e perspectivas que impactam as companhias e a maneira de fazer negócios? Como preparar um executivo para conduzir uma equipe de trabalho multicultural, promovendo uma comunicação efetiva entre os colegas de diferentes nacionalidades, ou mesmo para que esse executivo seja expatriado com sucesso para outro país?

Não é possível liderar, influenciar e negociar internacionalmente num contexto de diferentes culturas sem incorporar um conjunto de habilidades que se denominam competências interculturais. O processo de Coaching Executivo justamente pode ser um grande aliado no desenvolvimento de tais habilidades.

Coaching Executivo é um processo estruturado que ajuda executivos a desenvolverem seus comportamentos para modelos mais eficientes. A interação entre o coach e o cliente, ou coachee, faz com que o executivo descubra seu potencial inexplorado. O processo visa melhorar as habilidades para produzir resultados na empresa e alterar comportamentos que reduzam a eficácia das ações. Somente adquirindo novas ferramentas conseguimos sair de nosso “piloto-automático“ e exercitar novas formas de nos comunicarmos e lidarmos de maneira diferente com a vida. Por isso deve-se perguntar, constantemente, no processo de coaching, o “para que”, verificando se as ações cotidianas estão aproximando ou distanciando o coachee da meta comportamental determinada.

Dando um passo atrás, antes de falar de “competências interculturais”, o que é cultura? Segundo Hosfstede (2005), a cultura é uma representação coletiva que distingue os membros de um determinado grupo de outro. Existe uma semelhança de pensamentos, sentimentos e valores entre pessoas que tem a mesma nacionalidade. Podemos dizer que o que é visível de uma sociedade poderia ser comparado à ponta de um iceberg, enquanto a sua parte submersa corresponde ao que esta implícita e que podemos inferir sem ter que ser dito ou visto (KATAN, 2004)

Outro conceito importante é o do choque cultural. O termo foi cunhado na década de 50 para descrever a ansiedade e os sentimentos de surpresa, perda de estabilidade emocional, pânico, saudade da terra natal, irritação, desorientação, hipersensibilidade e confusão que acometem ao expatriado que tem dificuldade de assimilar uma nova cultura, quer dizer, quando não pode decifrar a parte submersa do iceberg. Certamente, o choque cultural é parte fundamental na análise de sucesso ou fracasso do executivo expatriado.

Enfim, para poder desenvolver as competências interculturais tanto dos indivíduos como das equipes deve-se trabalhar três dimensões fundamentais: conhecimento, habilidade e atitude. Para compreender outra cultura devemos conhecer as suas origens, seus valores e como esses valores se traduzem em comportamentos. Os treinamentos interculturais vão proporcionar o conhecimento e é através do coaching que o executivo poderá desenvolver essas novas habilidades e atitudes (comportamentos) para ter sucesso na nova cultura.